quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

A Reforma íntima e seus desafios

Olá! Hoje gostaria de refletir com vocês sobre um assunto dos mais densos e penosos para todo espírita: a reforma íntima.

Como já disse aqui antes, mudar a si mesmo para melhor exige inúmeros e enormes sacrifícios, a não ser que sejamos espíritos muito evoluídos - se houver algum leitor nesse patamar 99% puro e aquele 1% terráqueo, saiba que não estou escrevendo este texto para você. #espíritaengraçadinha Verdade é que penso sobre essa questão com uma frequência nada branda, o que me torna um tanto angustiada quase sempre... Tenho também um companheiro que se cobra imensamente a melhoria de si mesmo e compartilha comido as mesmas aflições.

No Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo XVII, itens 3 e 4, traz uma pequena lista (#sqn) dos caracteres do homem de bem e do bom espírita. Para termos uma noção, segue aqui um trechinho:

"O O verdadeiro homem de bem é aquele que pratica a lei de justiça, de amor e de caridade em sua maior pureza. Se interroga a consciência sobre seus próprios atos, pergunta a si mesmo se não violou essa lei; se não fez o mal e se fez todo o bem que podia; se negligenciou voluntariamente uma ocasião de ser útil; se ninguém tem o que reclamar dele; enfim, se fez a outrem o que quereria que se fizesse para com ele."

Essa é só a introdução, tá? E depois ele lista fé em Deus, fé no futuro, indulgência, caridade, amor, benevolência, respeito às diferenças, ausência de ódio, rancor e desejo de vingança, humildade... E por aí vamos nós. Eu não sei vocês, mas eu não estou nem um pouquinho que seja perto disso... E aquela noite do Evangelho no Lar, confesso, não foi nada fácil. A gente vai dormir com a consciência pesada e a certeza de que o caminho é loooooongo!

Pois bem. Encontrei então, na obra Boa Nova de Chico Xavier, pelo Espírito Irmão X ou Humberto de Campos, algo que me fez sentir um tanto consolada... Nessa obra fantástica, emocionante e de narrativa simples e cativante, Humberto de Campos nos revela aspectos da convivência de Jesus com seus discípulos, sob um ponto de vista que o Evangelho muitas vezes não contempla. Temos então, uma versão "ultra humanizada" daqueles que caminharam lado a lado com Jesus na sua existência terrena. Vemos um Pedro teimoso e agressivo; um Bartolomeu tristonho e magoado; um Tiago incrédulo e duvidoso; um João assustado e perdido. Há muitos aspectos humanos sendo ali expostos no texto e, ao lê-lo, questionei-me: como poderemos deixar de lado nossas imperfeições e praticar o amor pleno praticado por Espíritos como Chico Xavier, Gandhi e tantos outros seres que pudemos conhecer na História e ler nos relatos de livros espíritas?

Reformar-se intimamente exige, primeiramente, que conheçamos a nós mesmos, que não nos deixemos cegar pelo véu do orgulho e do egoísmo, essas grandes chagas que adoecem nossos corações. Precisamos, portanto, conhecer as nossas falhas para saber o que fazer com elas, rever os nossos atos e palavras para saber onde erramos e pedir perdão. Descobrir com um mergulho para dentro de nós mesmos que não somos tão bons quanto gostaríamos é uma atitude extremamente dolorosa. Ela nos traz vergonha, arrependimento, e nos ensina a humildade forçosamente. Como, pois, atingir o objetivo de minimizar esses males que assolam nossa alma? Quão fortes somos nós para assim procedermos?

Ao perceber as dificuldades daqueles que conviveram LADO A LADO COM JESUS - e com suas sábias palavras, sentindo seu magnetismo cotidianamente, bebendo de seus ensinamentos em sua rotina, vendo tantos "milagres" e tanto amor verdadeiro - em reformar-se e melhorar-se, exibindo tantas faltas, senti-me um tanto quanto aliviada. Então, você pode estar pensando: 'nossa! Que conclusão egocêntrica!', mas a verdade é que isso nos mostra quão difícil é para nós, meros mortais no século 21, atingir a elevação espiritual. Se para eles que beberam "direto da fonte" já não foi tarefa simples, imagine para nós! Foram dois milênios conhecendo as palavras de Jesus através de traduções e interpretações distorcidas, hoje rodeados de luxos, confortos e imposições de consumo que nos distanciam da simplicidade ensinada por Jesus. Somos nós cobrados a partilhar nossas "conquistas" e "alegrias" (muitas vezes superficiais e falsas) para sermos aceitos socialmente, precisando renunciar a tudo que conhecemos e sermos diferentes. E convenhamos: ser diferente nunca foi fácil.

Então, COMO É QUE EU FAÇO ISSO? Bom, aqui vão as humildes dicas de uma espírita iniciante.

Passo 1: Não se cobre tanto. Tenha paciência e perdoe a si mesmo. Como diz a música ando devagar porque já tive pressa. Se o caminho é longo, não nos angustiemos. Deus sabe o tempo.

Passo 2: Mantenha o foco. Apenas mantenha o foco em ser alguém melhor, se autoavalie com frequência e leia boas obras espíritas como um mapa para o tesouro.

Passo 3: Aprenda a pedir desculpas. Esse é um exercício daqueles!! Mas vale a pena o sacrifício. Compreenda que somos TODOS IMPERFEITOS e errar é humano. Peça perdão quando errar e siga em frente.

Mas, se você quiser o conselho de um especialista, leia a obra Paulo e Estevão, pelo espírito Emmanuel, e lá você terá as dicas certas de um ser de luz chamado Abigail. E ela nos diz que o caminho é AMAR, ESPERAR, TRABALHAR E PERDOAR. O melhor de tudo é que essa máxima parece funcionar para tudo! Curta e exata! (Aliás, Paulo de Tarso é O grande exemplo de superação e reforma íntima... Leia a obra e você saberá!)

Renunciar a nós mesmos, buscando melhorar e sacrificando nosso orgulho pelo bem do próximo, não é tarefa fácil. Pedro e os demais apóstolos nos mostraram isso. Foi preciso que Jesus retornar-se após a crucificação e o desencarne doloroso para que eles acreditassem e praticassem os ensinos do Cristo através da caridade e do amor. Sendo assim, a luta é árdua, mas é necessária. Persistamos na tarefa hercúlea do autoconhecimento para o burilamento de quem somos em nome de Jesus, um passinho de cada vez, sem tanta pressa e cobrança, afinal, temos a eternidade! #assimseja

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